´´Apoderai-vos das regras da técnica, e depois esquecei-as todas e cedei à inspiração!´´( August Rodin )
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Conektarse
Ao acordar um novo dia__________uma nova luta se inicia em busca do sólido entendimento da vida____________Para que sirvo? O universo acolhe enquanto tiros das metralhadoras invisíveis perfuram o corpo do ser em estado de criação
Chamas flamejantes________ lúdicas janelas cenográficas no abismo do cotidiano mórbido
Risco constante nos lábios carnudos das perguntas_________uma ponte que se atravessa sem enxergar seu finito______desejo de ir mais longe com peixes nos olhos
Saudando a vida com declaração de amor_______ palavras imagens colorindo o existir.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Infrutescência: Conjunto frutífero resultante de várias flores.
“Infrutescência” também é o título do livro de poemas de Helena Soares que deu origem no roteiro para criação de um espetáculo teatral de mesmo nome. A obra e seus versos são construções poéticas que contém a força, a cultura, a história e a vida suada do povo de Minas Gerais e do povo do cerrado brasileiro.
O espetáculo “Infrutescência” faz um paralelo entre as linguagens do sertão mineiro e do caos urbano, através de sons, palavras e objetos, buscando musicalidade, poesia e afinidades culturais existente entre as mineirices da duas realidades distintas. O espetáculo é resultado de uma pesquisa da linguagem performática, utilizando recursos audivisuaisl e do teatro de formas animadas para apresentar o universo do norte mineiro a partir de uma mulher que se reinventa ao ganhar um livro. No texto, Helena fala da mulher contemporânea e suas inquietações, seus desejos, sonhos e dúvidas, seja ela urbana ou sertaneja. As duas obras fazem um mergulho no sertão mineiro trazendo à tona imagens, sentimentos, fragmentos de memórias vividas e observadas pela autora. Ruminando inquietações, ela diz: ‘‘A palavra não é só a grafia, é antes o desejo de ser, de existir’’. O espetáculo ‘’Infrutescência’’ revela em cena a poesia de personagens que dialogam com o espaço/tempo. Cada personagem sugere uma reflexão ao passo em que se aproxima e distancia o mundo urbano do mundo do sertão.
Do Livro ´´Infrutescência´´ de helena soares
Anjo
Sem falar de mim sendo eu {quase nós}
Com essa consciência de amolar faca
Esse nariz farejando olhares furtivos
Boca {Lábios em direção desejados}
Mãos {dedos massageando palavras} soltando papagaios {outras línguas}
Beijo em qualquer lugar do corpo ou mesmo na alma alivia {acalma}
Essa fúria____________ ânsia no vazio do espaço imperfeito
Torto anjo de barro tonto
Manipulado amassado {admirado de mãos em pés} até orações
Esse estado emudece {dilacera}
Esse dia que traz lembranças
Nem um amor de verdade
Nem um beijo de tirar o fôlego
O anjo caiu e quebrou
_________________________________________________________________
Silêncio_____ ouvidos em busca de ar Um corpo contor________ Cendo formas Cores hormônios variáveis Humores Rumores Suor som de mar
Pios pilares vácuo no abismo do silêncio Tátil a sensação de escutar Mar ainda o corpo de escama Põe-se a respirar Essa sereia carrego fora d'água em ombros que guardo caudas enormes Voz que quer cantar Bonitos moços na beira do mar beijar É nessa água que me contenho contor________ So_______u de azul e estrelas Tua__________ Decifra-me
De mim mesma
Meu coração reclama o que me separa dos que amo de verdade
Deus me deu treze irmãos vivos
Alguns se foram e os que ficaram... Um abraço sufocado no peito grita esse amor que não se concretiza Nem de perto Nem de longe
Oito mulheres e cinco homens mais um que minha mãe pegou para criar
Mangas maduras comidas no pé
Horas sem contar no relógio ouvindo o murmúrio do vento nas folhas
Visto de longe o gado rumina o pasto de minha alma
Brancos no sol de fazer pensamentos
O arrozal dança e convida para a vida
Leio livros de ouro nas asas dos mil pássaros
A respiração esvai-se num único e harmonioso tom musical
Sussurro do universo querendo-me inteira para realizar sonhos
Busco
A palavra habita minha existência
Penso nela como um amor platônico
Fico horas a pão e água imersa neste universo sutil
_____________________________________________mágico
Desfiles em saias rodadas
Vestidos decotados em lânguidos corpos de significados exóticos
Respiração profunda
Um peixe nada tranqüilo no líquido amniótico
Meu útero se parte multiplicando a beleza {saudando a vida}
Uma flor de perfume nunca sentido antes
Um amor sem fronteiras querendo encontrar sua metade imperfeita
Pequenos frascos
Febril
Feérico
Fecundo
Procura-se
Ruminar não é coisa só de Gado...
Prato de comida na mão
Olhos fixos no tempo de ninguém
Se pensava ou só ruminava?
A boca mexia mobilizando um conjunto de músculos autômatos
Uma tristeza de ser aquilo que se era...
Se alimentava ou só comia?
Olhando era um réptil desses pré-históricos
Sem interesse pela vida moderna
Se vivia ou só estava viva?
Cansada de ruir
Uma pessoa roendo a vida
__________________________________________________________________
Essa vontade de saber Esse tempo que passa___________leva os dias contados marcados em relógios de parede Esse mel que lubrifica a garganta Esse suspiro que sai do fundo do peito em êxtase extremo Essa cara que tenho modifica sem que percebam Esse dia que eu não sou eu Essas fotos que estou alegre se triste sorrindo assim mesmo pra não ficar feio Esse jeito de viver que não muda Essa boneca esquartejada cabeça quebrada braços pernas perdidos na caixa de brinquedos Esse quebra cabeça interminável Mudo de fazer dó música poesia cinema:Esse sonho vagaroso que corroe entranhas Essa visita na morada dos rins Coração que fosse não aguentaria tanta emoção Esse eu perverso de sentimentos e palavras em uma só letra H
Nada
O que não mais é e tem que ser
O que não se quer e é seu
O que deixou de existir e não se foi
A solidão
Ventre
Consciência de existir com choro e reclamação
Pratos Panelas
Brinquedos no chão
Em toda parte você
Fragmentos Fotos Quimera
Casa marido filha e eu?
Dias de chuva Dias de sol
Passeios Trepidações
A vida anda...
Paciência
Adivinhar linhas das mãos...
Evidenciar o caos...
Morder as partes moles da boca...
Revirar os olhos...
Formigar língua pés orelhas...
Esperar passar o feriado
Amolecer o corpo...
Cuspir sangue...
Respirar as horas...
Frio nos pés!
Músicas vindas de fora
Teto baixo cor suja dores na alma
Ventre de aço
Os sapos não cantam sem água
Nem nós
Vozes ecoam do rádio
Do jornal letras
De mim sombras!
Nada nada nada
Nem eu nem tu nem nós...só
Infinito deserto...
Unhas em crescimento
Cabelos grandes... Miolo
Falta memória é tristeza!
Nada nada nada...
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Aula de iniciação teatral na Cia.Acômica de portas abertas para a comunidade. Prof: Helena Soares.
Início do túnel___________ Luzes___________ estamos caminhando ainda, não terá final.
Primeiro a curiosidade, o burburinho aquecido das novidades.
Estamos nos apresentando. Somos somente qualidades. Os defeitos virão à tona.
Nomes, rostos, mãos, pés, vozes, tamanhos, cores, cabelos, tudo diferente.
Um poema é lido quando um cordão colorido nos une em costura de nomes e silêncios até formar uma rede de contatos, qualquer movimento transmite vibrações comunicativas.
Nome, qualidade, objetivo. A voz quase não sai. Olhar ainda tímido, outros exagerados mostram que são expressivos e esbanjam expressões com largos gestos.
Alguns querem ser estrelas, outros conhecer mais sobre teatro.
No primeiro momento temos uma sala cheia com 26 pessoas, no decorrer dos dias alguns faltam e outros chegam. Muita energia.
A arte de criar é inerente ao ser humano, ele precisa de um espaço para mostrar seus experimentos, ser visto, aplaudido pelo outro da sua espécie.
Exercícios de entrosamento. Muitas manifestações de alegria. Jogos, movimentos em grupo e individual, cenas, vão mostrando as facilidades e dificuldades de cada um. Como se conter neste turbilhão de impulsos criativos? Todos querem falar, mostrar seu movimento, sua cara, seu canto.
Primeiro sem fala, vamos deixar a fisicalidade aparecer. Impaciência, gestos de fácil comunicação. Há necessidade de ser entendido imediatamente. Os questionamentos, as curiosidades.
Exercícios sensoriais. O outro já existe enormemente e me reflete, posso sentir a densidade do ar, meus pés sentem o chão que piso, vejo com mais detalhes, estou mais receptivo com o outro, posso trocar mais suavemente. Estamos mais abertos.
Jogos, improvisos, cenas. Eu posso falar. As possibilidades foram ampliadas, a visão das composições, a exploração do espaço, o que o outro representa o que eu represento,
Conjunto de informações para corpo e mente ____________ diálogos com a natureza simbiótica do ser e sua habilidade natural___________ A criação.
Helena soares, Atriz, poeta e professora de teatro
BH, 28 de junho 2010
Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios."
quinta-feira, 6 de maio de 2010
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Teatro faz bem para a saúde do planeta.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Nasci de Parteira
Helena Soares aphonso-2010
Nasci de parteira. Foi na fazenda Macaúbas município de Brasília de Minas. Meu pai era de um grupo de folia, época de festas, passávamos todo o mês visitando lapinhas.
Toda casa que chegava, cantavam a música que pede licença para entrar.
Meu pai comprou outra fazenda e mudamos em carros de boi, uns oito cantando de tão pesados. Eu brincava com bonecas de pano feitas pela mamãe, brinquei muito, arrumávamos nossas casinhas na sombra dos pés de romãs. Tenho muitas irmãs. Comecei estudar em uma escola rural perto de casa, a sala era pequena, a professora dava aula no mesmo horário para a primeira, segunda e terceira série.
Eu ouvia rádio, adorava música. O terreiro era grande e limpo, quando a lua brilhava colocávamos as cadeiras no centro do terreiro, papai tocava violão e cantava com mamãe. ´´Não há oh gente, oh não luar como esse do sertão.´´Depois fui estudar na cidade, li o Admirável Mundo Novo, estudei no conservatório Lorenzo Fernandes, teatro e educação artística, escrevi poesia, fiz parte de grupos de teatro, escutei Cazuza e Raul Seixas, li Nelson Rodrigues, interpretei personagem de Jean Genet, fiz aula com Geraldo Vidigal, assisti Gerald Thomas, casei-me com o Dió, tive uma filha, publiquei um livro. Meu umbigo está solto no mundo. Sou livre posso fazer escolhas.
O teatro me trouxe o sentido da vida, os fragmentos, o lugar de ver de cima e o lugar de ver de baixo. Me mostrou um mundo mais possível, o de verdade. Foi uma escolha. ´ ´´Porque será que cuidam de você? Boa pergunta´´. Nunca tive isto, e olha que sou canceriana, sofri muito por que tive que sair de casa muito cedo, tinha que estudar, meu pai sempre fez questão, colégio e datilografia.
Gostava de ler, de sair com os amigos, recebi várias serenatas no meio da noite.
Quando cheguei em Belo Horizonte chovia, fazia um friozinho, a cidade estava com neblina meio embaçada. Achei lindo me senti confortável. Vim estudar teatro, a turma do meu grupo de teatro lá de montes claros já estava aqui, eu vim um ano depois, muitas coisas tinham mudado, depois foi a moradia estudantil Borges da Costa, ai começaram as performances, era teatro de dia, de noite. Todos os estudantes vinham nos ver na lavanderia, nos corredores, na piscina de cimento batido, respirávamos arte. Vivi intensamente, mais que isso, fiquei fascinada, me envolvi como uma criança. Tive certeza que era isso que eu queria, que eu era artista.
BH 28/01/2010 helena soares aphonso
Nasci de parteira. Foi na fazenda Macaúbas município de Brasília de Minas. Meu pai era de um grupo de folia, época de festas, passávamos todo o mês visitando lapinhas.
Toda casa que chegava, cantavam a música que pede licença para entrar.
Meu pai comprou outra fazenda e mudamos em carros de boi, uns oito cantando de tão pesados. Eu brincava com bonecas de pano feitas pela mamãe, brinquei muito, arrumávamos nossas casinhas na sombra dos pés de romãs. Tenho muitas irmãs. Comecei estudar em uma escola rural perto de casa, a sala era pequena, a professora dava aula no mesmo horário para a primeira, segunda e terceira série.
Eu ouvia rádio, adorava música. O terreiro era grande e limpo, quando a lua brilhava colocávamos as cadeiras no centro do terreiro, papai tocava violão e cantava com mamãe. ´´Não há oh gente, oh não luar como esse do sertão.´´Depois fui estudar na cidade, li o Admirável Mundo Novo, estudei no conservatório Lorenzo Fernandes, teatro e educação artística, escrevi poesia, fiz parte de grupos de teatro, escutei Cazuza e Raul Seixas, li Nelson Rodrigues, interpretei personagem de Jean Genet, fiz aula com Geraldo Vidigal, assisti Gerald Thomas, casei-me com o Dió, tive uma filha, publiquei um livro. Meu umbigo está solto no mundo. Sou livre posso fazer escolhas.
O teatro me trouxe o sentido da vida, os fragmentos, o lugar de ver de cima e o lugar de ver de baixo. Me mostrou um mundo mais possível, o de verdade. Foi uma escolha. ´ ´´Porque será que cuidam de você? Boa pergunta´´. Nunca tive isto, e olha que sou canceriana, sofri muito por que tive que sair de casa muito cedo, tinha que estudar, meu pai sempre fez questão, colégio e datilografia.
Gostava de ler, de sair com os amigos, recebi várias serenatas no meio da noite.
Quando cheguei em Belo Horizonte chovia, fazia um friozinho, a cidade estava com neblina meio embaçada. Achei lindo me senti confortável. Vim estudar teatro, a turma do meu grupo de teatro lá de montes claros já estava aqui, eu vim um ano depois, muitas coisas tinham mudado, depois foi a moradia estudantil Borges da Costa, ai começaram as performances, era teatro de dia, de noite. Todos os estudantes vinham nos ver na lavanderia, nos corredores, na piscina de cimento batido, respirávamos arte. Vivi intensamente, mais que isso, fiquei fascinada, me envolvi como uma criança. Tive certeza que era isso que eu queria, que eu era artista.
BH 28/01/2010 helena soares aphonso
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