sábado, 18 de junho de 2011

quinta-feira, 31 de março de 2011

Tremula o tecido da pele


Espaços e opressões

O ser humano encurralado em pequenos espaços, violentado em sua liberdade de ir e vir busca o vôo através das imagens letras, palavras, objetos, movimentos, sons, com ajuda da natureza que se transforma a todo tempo, produzindo inspiração para a vida que segue em permanente mutação. Re significar o cotidiano, abrir as janelas para novas paisagens, deixar o sol entrar como um alimento imprescindível, visualizar a vida a partir dos conflitos e ações através das composições do dia a dia vivenciando a arte que instaura no belo e feio de cada momento olhado pela artista que ali se propõe.

Helena Soares aphonso´´Tremula o tecido da pele´´ é um espetáculo interativo de teatro-performance e vídeo com textos de Helena Soares.
Estas fotos são da apresentação na 6ª semana cultural Igor Xavier em Montes claros.
Helena soares
Cia.h3
2011
Contatos:
helenasoaresatriz@yahoo.com.br
31 92180075


sábado, 12 de fevereiro de 2011

Conektarse


 
                             Ao acordar um novo dia__________uma nova luta se inicia em busca do sólido entendimento da vida____________Para que sirvo? O universo acolhe enquanto tiros  das metralhadoras invisíveis perfuram o corpo do ser em estado de criação
Chamas flamejantes________ lúdicas janelas cenográficas no abismo do cotidiano mórbido
Risco constante nos lábios carnudos das perguntas_________uma ponte que se atravessa sem enxergar seu finito______desejo de ir mais longe com peixes nos olhos
Saudando a vida com declaração de amor_______ palavras imagens colorindo o existir.

 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Infrutescência: Conjunto frutífero resultante de várias flores.




“Infrutescência” também é o título do livro de poemas de Helena Soares que deu origem no roteiro  para criação de um espetáculo teatral de mesmo nome. A obra e seus versos são construções poéticas que contém a força, a cultura, a história e a vida suada do povo de Minas Gerais e do povo do cerrado  brasileiro.

O espetáculo “Infrutescência” faz um paralelo entre as linguagens do sertão mineiro e do caos urbano, através de sons, palavras e objetos, buscando musicalidade, poesia e afinidades culturais existente entre as mineirices da duas realidades distintas. O espetáculo é resultado de uma pesquisa da linguagem performática, utilizando recursos audivisuaisl e do teatro de formas animadas para apresentar o universo do norte mineiro a partir de uma mulher que se reinventa ao ganhar um livro.  No texto, Helena fala da mulher contemporânea e suas inquietações, seus desejos, sonhos e dúvidas, seja ela urbana ou sertaneja. As duas obras fazem um mergulho no sertão mineiro trazendo à tona imagens, sentimentos, fragmentos de memórias vividas e observadas pela autora. Ruminando inquietações, ela diz: ‘‘A palavra não é só a grafia, é antes o desejo de ser, de existir’’. O espetáculo ‘’Infrutescência’’ revela em cena a poesia de personagens que dialogam com o espaço/tempo. Cada personagem sugere uma reflexão ao passo em que se aproxima e distancia o mundo urbano do mundo do sertão.















Do Livro ´´Infrutescência´´ de helena soares

Anjo

Sem falar de mim sendo eu {quase nós}
Com essa consciência de amolar faca
Esse nariz farejando olhares furtivos
Boca {Lábios em direção desejados}
Mãos {dedos massageando palavras} soltando papagaios {outras línguas}
Beijo em qualquer lugar do corpo ou mesmo na alma alivia {acalma}
Essa fúria____________ ânsia no vazio do espaço imperfeito
Torto anjo de barro tonto  
Manipulado amassado {admirado de mãos em pés} até orações
Esse estado emudece {dilacera}
Esse dia que traz lembranças

Nem um amor de verdade

Nem um beijo de tirar o fôlego

O anjo caiu e quebrou

                                             _________________________________________________________________


Silêncio_____ ouvidos em busca de ar  Um corpo contor________  Cendo  formas  Cores  hormônios variáveis  Humores  Rumores  Suor  som de mar
Pios  pilares  vácuo no abismo do silêncio   Tátil a sensação de escutar  Mar ainda o corpo de escama  Põe-se a respirar  Essa sereia carrego fora d'água em ombros que guardo caudas enormes  Voz que quer cantar  Bonitos moços na beira do mar beijar  É nessa água que me contenho   contor________ So_______u de azul e estrelas   Tua__________  Decifra-me

 

 De mim mesma

Meu coração reclama o que me separa dos que amo de verdade
Deus me deu treze irmãos vivos
Alguns se foram e os que ficaram... Um abraço sufocado no peito grita esse amor que não se concretiza  Nem de perto  Nem de longe
Oito mulheres e cinco homens  mais um que minha mãe pegou para criar

Mangas maduras comidas no pé
Horas sem contar no relógio ouvindo o murmúrio do vento nas folhas
Visto de longe o gado rumina o pasto de minha alma
Brancos no sol de fazer pensamentos
O arrozal dança e convida para a vida
Leio livros de ouro nas asas dos mil pássaros
A respiração esvai-se num único e harmonioso tom musical
Sussurro do universo querendo-me inteira para realizar sonhos

 Busco

A palavra habita minha existência
Penso nela como um amor platônico
Fico horas a pão e água imersa neste universo sutil
_____________________________________________mágico
Desfiles em saias rodadas
Vestidos decotados em lânguidos corpos de significados exóticos
Respiração profunda
Um peixe nada tranqüilo no líquido amniótico
Meu útero se parte multiplicando a beleza {saudando a vida}
Uma flor de perfume nunca sentido antes
Um amor sem fronteiras querendo encontrar sua metade imperfeita
Pequenos frascos
Febril
Feérico
Fecundo
Procura-se


 __________________________________________________________

Ruminar não é coisa só de Gado...
Prato de comida na mão
 Olhos fixos no tempo de ninguém
Se pensava ou só ruminava?
A boca mexia mobilizando um conjunto de músculos autômatos
Uma tristeza de ser aquilo que se era...
Se alimentava ou só comia?
Olhando era um réptil desses pré-históricos
Sem interesse pela vida moderna
Se vivia ou só estava viva?
Cansada de ruir 
Uma pessoa roendo a vida

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Essa vontade de saber Esse tempo que passa___________leva os dias contados marcados em relógios de parede  Esse mel que lubrifica a garganta  Esse suspiro que sai do fundo do peito em êxtase extremo  Essa cara que tenho modifica sem que percebam  Esse dia que eu não sou eu  Essas fotos que  estou alegre  se triste sorrindo assim mesmo pra não ficar feio  Esse jeito de viver que não muda  Essa boneca esquartejada cabeça quebrada braços  pernas perdidos na caixa de brinquedos  Esse quebra cabeça interminável  Mudo de fazer dó  música  poesia  cinema:Esse sonho vagaroso que corroe entranhas  Essa visita na morada dos rins  Coração que fosse não aguentaria tanta emoção  Esse eu perverso de sentimentos e palavras em uma só letra H



Nada
   O que não mais é e tem que ser
O que não se quer e é seu
                     O que deixou de existir e não se foi
           A solidão


                             Ventre
Consciência de existir com choro e reclamação
Pratos  Panelas
Brinquedos no chão
Em toda parte você
Fragmentos  Fotos  Quimera
Casa marido filha e eu?

Dias de chuva   Dias de sol

Passeios    Trepidações
A vida anda...

 

Paciência

Adivinhar linhas das mãos...

Evidenciar o caos...
Morder as partes moles da boca...
Revirar os olhos...
Formigar  língua pés  orelhas...
Esperar passar o feriado
Amolecer o corpo...
Cuspir sangue...
Respirar as horas...
Frio nos pés!
Músicas vindas de fora
Teto baixo  cor suja  dores na alma
Ventre de aço
Os sapos não cantam sem água
Nem nós
Vozes ecoam do rádio
Do jornal letras
De mim sombras!
Nada nada  nada
Nem eu nem tu nem nós...só
Infinito deserto...
Unhas em crescimento
Cabelos grandes... Miolo
Falta memória é tristeza!
Nada nada nada...

 helena soares

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Aula de iniciação teatral na Cia.Acômica de portas abertas para a comunidade. Prof: Helena Soares.

  
Início do túnel___________ Luzes___________ estamos caminhando ainda, não terá final.
Primeiro a curiosidade, o burburinho aquecido das novidades.
Estamos nos apresentando. Somos somente qualidades. Os defeitos virão à tona.
Nomes, rostos, mãos, pés, vozes, tamanhos, cores, cabelos, tudo diferente.
Um poema é lido quando um cordão colorido nos une em costura de nomes e silêncios até formar uma rede de contatos, qualquer movimento transmite vibrações comunicativas.

Nome, qualidade, objetivo. A voz quase não sai.  Olhar ainda tímido, outros exagerados mostram que são expressivos e esbanjam expressões com largos gestos.
Alguns querem ser estrelas, outros conhecer mais sobre teatro.

No primeiro momento temos uma sala cheia com 26 pessoas, no decorrer dos dias alguns faltam e outros chegam. Muita energia.
A arte de criar é inerente ao ser humano, ele precisa de um espaço para mostrar seus experimentos, ser visto, aplaudido pelo outro da sua espécie.

Exercícios de entrosamento. Muitas manifestações de alegria. Jogos, movimentos em grupo e individual, cenas, vão mostrando as facilidades e dificuldades de cada um. Como se conter neste turbilhão de impulsos criativos? Todos querem falar, mostrar seu movimento, sua cara, seu canto.

Primeiro sem fala, vamos deixar a fisicalidade aparecer. Impaciência, gestos de fácil comunicação. Há necessidade de ser entendido imediatamente. Os questionamentos, as curiosidades.

Exercícios sensoriais. O outro já existe enormemente e me reflete, posso sentir a densidade do ar, meus pés sentem o chão que piso, vejo com mais detalhes, estou mais receptivo com o outro, posso trocar mais suavemente. Estamos mais abertos.

Jogos, improvisos, cenas. Eu posso falar. As possibilidades foram ampliadas, a visão das composições, a exploração do espaço, o que o outro representa o que eu represento,
Conjunto de informações para corpo e mente ____________ diálogos com a natureza simbiótica do ser e sua habilidade natural___________ A criação.


Helena soares, Atriz, poeta e professora de teatro
BH, 28 de junho 2010












Manoel de Barros
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas.
dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que as dos mísseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor os meus silêncios."