segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Dando linha...

De helena soares
BH 2010/Janeiro

Diferente dos outros; Quatro furinhos no meio de um por de sol, ou melhor, casamento de raposa ainda sol e chuva.
Delicado, amoroso, seguro de si, macio e circular, cheira esses perfumes bons de missa de domingo cedo. Manda beijos fazendo biquinho e pensa que gente é fruta de comer de madrugada. Ah! Gosta do assovio dos passarinhos. ‘’As coisas acontecem indiretamente. Elas vêm de um lado. Eu juraria que esse lado era o lado esquerdo (me dou melhor com meu lado esquerdo)´´ Por isso me movo, canto, danço o dia todo com esse meu lado, pra agradar, fazer rir, sabe? Mas o que eu queria mesmo era experimentar o sabor que gente tem.
``Como eu ia dizendo, foi Deus que me inventou,´´ eu só fico tentando agradar mesmo, porque dizem por aí que gente gosta de agrados, sabe? Eu sou louco para experimentar gente... Estufa o peito soltando o ar que acabara de respirar, seus olhos castanhos vão de encontro ao céu onde já escuro está, e bem na sua frente alguém lhe sorri.
- E aí, todo dia te vejo passar, tão bonita...
- Eu sou um pouco parecida com você, só muda a cor, tem importância sim. Eu sou preta, tenho quatro furinhos também, mas eu gosto de dançar, quando chove xixixixixiblaaa, pimpõe, dabadaaaaaa...Eu pulo, me torço toda, fico de bem com a vida e nem penso em comer gente.Coisa de quem não dança.
Um outro que estava do lado se arrisca e entra na conversa.
- ´´O senhor há de rir-se de mim, mas por que não serei eu?´´ E olha, que eu também gosto de dançar, isso não me impede de dormir mais tarde. É a noite que como, eles estão todos ou quase todos dormindo. Eu chego de mansinho com um óleo cheiroso, passo no pé daquele que eu escolho, faço uma massagem, ele relaxa e aí eu como e não me faz mal, fico saciado o dia todo, ando, ando, ando até chegar o por do sol que é a hora da canção e eu saio dali para saborear o beijo. Outra vai logo se encostando a ele com o corpo formigando para o desmaio.
- Eco! Você está pálida, o que foi?
- Eu sou assim mesmo, eu só tenho dois furos, mas eu beijo bem, ninguém nunca reclamou não.
- Então cala a boca e beija.Sssssshhmamamak.
-Nossa você tem uma coisa diferente das outras.
Claro eu sou vermelha e como gente também, todos se apaixonam por mim, é tão bom tenho quem beijar sempre. Eu gosto tanto... Por mim só existia beijo mais nada.
- Então vamos beijar mais, gostei, sssstrup.ssssstrup.
Brimmmmmmmm. Alô, liga depois estou beijando agora. Ploft.
-Brimmmmmmmmm, brimmmmmmm
- Êi, deixa tocar, vamos continuar, qual é?
-Eu gosto de variar.
Helena Soares BH-2010

Correu até a Janela

Texto de helena soares
BH- 2010 / Janeiro


Correu até a janela e olhou longe, até o sonho chegar mansinho com cheiro de cítricos. Então viveu de novo a sensação do parto.
- Eu vim junto ao vento, sou flexível, gosto de observar, tenho já na minha forma física uma suavidade até na minha cor, olha só, rosa, respiro super bem.
...´´E foi bem aqui comigo que pensei ( Perai que você vai ver só) ( Perai que você vai ver ainda).´´ Eu trago dentro dos meus furinhos muitas ferramentas, dessas de tecer origens, línguas é isso, eu não digo dessa de carne e sim a outra feita com letras depois palavras, sei lá nem precisava, mas é bem capaz de ser muito útil, depois de uma tempestade, serra elétrica no ouvido, dzzzzzzzzzzzzzdrrrrrrrrrr, só se entende com...
Olhei o buraco na parede e vi a cor amarela, pensei que talvez fosse possível todas as dúvidas que me torturavam, entrei no primeiro redemoinho que encontrei e dei sorte por que veio lambendo tudo que enxergava pela frente e assim eu pude fazer muitas amizades, alguns queriam compromisso sérios, mas aí a serra elétrica voltou com força e o cachorro latiu muito, ainda bem por que eu já estava me entregando e não posso, eu gosto de viver, ser livre.
De repente pensei com desesperada melancolia, nos instantes que havíamos passado naqueles rodopios ululantes em busca de que?
Pode até ser uma memória, lembrança...
Estou neste momento escrevendo a minha sensacional estória de vida, é, o que não está registrado não existe, por isso a importância... Estava no meio do quarto, em pé, banhada por um suor frio, me dei conta que as horas passavam, pois não ouvia mais a serra elétrica. Comecei cantarolar uma música. Lembrei-me de que não merecia seu amor, porque estava condenada a morrer na solidão absoluta. Não queria falar sobre isso. Foi legal a viagem no redemoinho e tal, mas a vida continua, tenho que pagar contas, tomar conta do bichinho de estimação, essas coisas comuns que todo mundo faz. Sonhar é tão bom... Sei lá, esse vazio no peito, esse cachorro que não para de latir, esse lamento de luz pela fresta da parede, as flores roxas, uns copos alaranjados pra despertar o B, as letras, depois as palavras... Bem que queria estar neste movimento rotativo que absorve, respira, gira, dá, toma só pra viver mais e conhecer o que tem dentro dos outros e de mim mesma, por que as letras...´´Pra que sirvo eu, eu sozinha?´´ Vou te falar, viver é muito bom, é um presente é um sonho, a realidade também tem seus encantos, agora por exemplo vou tomar um café, eu gosto forte, o cheiro me deixa exitada, não tem explicação, nem precisa, cada um é cada um, eu gosto de experimentar aquilo que me toca pelo cheiro. Já vivi muitas aventuras, trago-as comigo pelo cheiro.
Já está suave a luz na janela, vou ter que...

BH 2010 - helena soares

domingo, 20 de setembro de 2009

Minha casa é meu corpo. Texto de helena soares


Minha casa é meu corpo

O corpo e a casa na casa do corpo

A casa e o corpo no corpo do corpo

Do corpo da casa a casa é o corpo

Meu corpo é minha casa

A casa do corpo no corpo é a casa

Minha casa é meu corpo

O corpo na casa da casa do corpo

Andreza saiu de meu corpo

Meu corpo saiu de Andreza

Filha de meu corpo no corpo de minha filha

O corpo é seu ser do corpo nascer

Ser corpo é ser ou não ser

É nascer de um sim ser

Seu corpo é sua alma é sua calma

É seu, seu corpo!

É meu, meu corpo!

Seu meu corpo seu

Meu seu corpo meu

O corpo como seu corpo como meu corpo é corpo

Eu como meu corpo

Como seu corpo como como meu corpo.


Texto de helena soares


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Agradecimento

Muito abrigada!!!!!!!!!!!!!!!!

Só alegria, fizemos uma ótima temporada do espetáculo ´´Infrutescência´´.

Muito obrigada à todos que compareceram e trabalharam. O espetáculo não pode parar,

estamos renovados. Vem aí nova montagem da cia.teatroh3. Aguardem!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

´´Infrutescência´´


´´Infrutescência´´

Espetáculo que fala da mulher Contemporânea e suas inquietações, seus desejos, sonhos e dúvidas, seja ela urbana ou sertaneja. Faz um mergulho no sertão mineiro trazendo à tona imagens, sentimentos, fragmentos de memórias vividas e observadas por ela. Ruminando inquietações Helena Soares diz: ‘‘A palavra não é só a grafia, é antes o desejo de ser, de existir’’. O espetáculo ‘’Infrutescência’’ revela em cena a poesia de personagens que dialogam com o espaço/tempo, através de formas animadas, sons e da linguagem performática. Cada personagem sugere uma reflexão quanto ao que aproxima e distancia o mundo urbano do mundo do sertão.

Sinopse: Vivendo sob uma cultura repressiva na qual o corpo e o pensamento são objetos de vergonha, uma mulher se reinventa ao ganhar um livro. Vivenciando seus desejos, inquietudes e sonhos, através das palavras, imagens e sons essa mulher provoca reflexões sobre a vida.

Espetáculo: ‘’Infrutescência’’

Direção: Carloman Bonfim

Atriz: Helena Soares

Luz: Juliano Coelho

Trilha Sonora: Sérgio Geléia

Fotógrafo: Túlio Travaglia

Produção: Teatro h3

Gênero: Drama

Duração: 50 mts

Classificação: Livre

24,00 (inteira) e 12,00 (meia)

Teatro Sesc - MG

Rua Tupinambás - 908 – Centro – BH

13 de Junho a 05 de Julho

Sábado e Domingo às 20hs

Contatos:

31- 92180075

e-mail: helenasoaresatriz@yahoo.com.br

Mais informações:www.teatroh3.blogspot.com

www.helenasoares2.blogspot.com

terça-feira, 26 de maio de 2009

´´Infrutescência´´


Olá amigos,
a presença de vocês é muito importante para mim,
por favor divulguem.

sábado, 16 de maio de 2009

Espetáculo ´´Infrutescência´´Teatro-imagens-sons-poesia



Release

Helena Soares, atriz e poeta, filha de agricultores do norte de minas, mora em Belo Horizonte desde 1990. Formada em Artes Cênicas pelo Teatro universitário da UFMG, em seu currículo destacam-se os espetáculos dirigidos por: Wilson de Oliveira em ‘’Eu te amo ditadura’’ de Sérgio Abrita e ‘’O balcão’’ de Jean Genet; Kallú Araújo em ‘’Tartufo’’ de Moliére e Helvécio Guimarães em ‘’Pétalas da Solidão’’.
Em 2006 lança seu primeiro livro de poesias ‘’Infrutescência’’ do qual extrai o roteiro para a criação do espetáculo teatral de mesmo nome. Em seus textos, Helena fala da mulher Contemporânea e suas inquietações, seus desejos, sonhos e dúvidas, seja ela urbana ou sertaneja. Faz um mergulho no sertão mineiro trazendo à tona imagens, sentimentos, fragmentos de memórias vividas e observadas por ela. Ruminando inquietações ela diz: ‘‘A palavra não é só a grafia, é antes o desejo de ser, de existir’’.

O espetáculo ‘’Infrutescência’’ revela em cena a poesia de personagens que dialogam com o espaço/tempo, através de formas animadas, sons e da linguagem performática. Cada personagem sugere uma reflexão quanto ao que aproxima e distancia o mundo urbano do mundo do sertão.

Sinopse: Vivendo sob uma cultura repressiva na qual o corpo e o pensamento são objetos de vergonha, uma mulher se reinventa ao ganhar um livro. Vivenciando seus desejos, inquietudes e sonhos, através das palavras, imagens e sons essa mulher provoca reflexões sobre a vida.

Espetáculo: ‘’Infrutescência’’
Direção e figurino: Carloman Bonfim
Em cena: Helena Soares
Luz: Juliano Coelho
Trilha Sonora: Sérgio Geléia
Produção: Teatro h3
Gênero: Drama
Duração: Uma hora
Classificação: Livre
24,00 (inteira) e 12,00 (meia)

Teatro Sesc - MG
Rua Tupinambás - 908 – Centro – BH
13 de Junho a 05 de Julho
Sábado e Domingo às 20hs
Contatos:
31- 92180075 / 32010866
e-mail: helenasoaresatriz@yahoo.com.br

Mais informações:
http://www.teatroh3.blogspot.com/ www.myspace.com/helenasoares